Síndrome da Bagunça


Uma casa tem que ter acolhimento. Não tem que parecer uma loja de decoração, mas deve revelar tranquilidade para seu descanso, incentivo para sua criatividade e reflexo do que você deseja para sua saúde. Tudo em nossa casa revela um pouco de nosso jeito de ser, de pensar, de sentir e de nos relacionar’.

Replico aqui a publicação da autora desta frase, a amiga escritora e psicóloga Luiza Gozuen. Entenda a síndrome e como lidar com a bagunça!

Imagem de um quarto com a cama e chão abarrotados de roupas espalhadas

Quando entramos na casa de uma pessoa pela primeira vez, o cheiro do ambiente já nos transmite uma sensação de agradabilidade ou de incômodo. Para muitos, o cheiro de guardado e ar abafado pode até despertar lembranças desagradáveis, desconforto e até alergia. Isso porque nosso cérebro retém os acontecimentos marcantes de nossa vida. A memória seletiva, de maneira instantânea, traz à tona o que guardamos, tanto os bons momentos quanto os maus momentos, e se aquele cheiro remete a uma situação desagradável iremos associar aquele ambiente a alguma coisa que nos incomoda, e isso é inconsciente, na hora não nos damos conta, apenas sentimos e registramos.

imagem com tudo sobre um sofá, espalhado pelo chão

Outra situação é um local cheio de coisas amontoadas em cima do sofá, uma mesa repleta de objetos e papéis, uma pia cheia de louças sujas ou um quarto onde tudo está sobre a cama, espalhado pelo chão ou jogado dentro do armário. 


A desordem pode refletir inquietações, angústias e frustrações não resolvidas, porém a organização em excesso, sem um só grão de poeira, um objeto fora da posição ou a franja do tapete desarrumada, pode também camuflar uma situação obsessão, de desalinho consigo mesmo e que precisa de maneira inconsciente, limpar e arrumar tudo para não ficar "sufocado" com a sensação de estar se sentindo - "sujo" ou "imperfeito".

O psicólogo suíço Jean Piaget definiu e descreveu as etapas do desenvolvimento cognitivo dos seres humanos, em estudos e observações feitas através do comportamento de seus próprios filhos e pacientes, mas era completamente incapaz de organizar o seu próprio escritório, no qual parecia estar sendo engolido por pilhas de livros e relatórios.

Quando questionado a esse respeito, ele explicou com um pensamento de Henri Bergson (Filósofo francês) que dizia: "Não existe a desordem, mas sim dois tipos de ordem, a geométrica e a vital". E completou. A minha é claramente vital.

Conclui-se que, algumas pessoas têm a necessidade de estarem envolvidas por muitas questões e anotações como forma de se sentirem vivas e úteis, mas não perdem o foco do que estão fazendo e sabem exatamente onde tudo está. Apenas não se importam com a ordem no sentido de conforto, porém ela existe como ordem efetiva e produtiva.  

O mesmo acontecia com Einstein, que anotava fórmulas imensas num quadro e depois continuava com suas anotações e estudos até que quando finalmente conseguia dormir, não descansava a mente, continuava pensando e levantava para anotar o que tinha acabado de sonhar, ou seja, mais fórmulas. Porém na pilha de material que estudava e anotava tinha uma organização pessoal e uma sequência lógica no raciocínio de como continuava sua linha de pensamento. Para ele essa "fórmula" funcionava. 

Organizadores e Empilhadores

Organizadores são pessoas com pensamentos claros, organizados e decididos. Eles possuem muitos documentos e objetos em sua casa, mas vivem com praticidade, ou seja, selecionam os documentos por assuntos e os coloca em envelopes ou pastas de cores diferentes; etiquetados de acordo com assuntos, vencimentos ou se já foram pagos; são datados caso seja preciso guarda-los por mais um tempo e os guarda num armário fechado de fácil acesso.

Quanto aos objetos, têm apenas o que necessitam. Não compram tudo que veem - mesmo que esteja em promoção - e cada objeto está no local certo para sua funcionalidade. Se estragou e não funciona mais, descarta. Não guardam coisas que sabem que não vão mais usar, pois não irão levar para consertar. Suas roupas combinam com seu estilo. Não compram nada apenas por estarem na "moda" ou porque na revista ficou bonito na modelo. Lembre-se - Você não é modelo. Se comprar o que não fica bem em você, será mais uma tranqueira a entulhar seu guarda-roupas.

Imagem de uma moça com vários papeis sobre a mesa

Empilhadores são pessoas geralmente agitadas, que fazem muitas coisas ao mesmo tempo. Têm também muitos documentos e objetos, mas quando precisam achar um deles, sai a procura em meio a uma tonelada de papéis empilhados de qualquer jeito e, na insatisfação e obrigação de ter que procurar, espalha tudo sobre a mesa e no chão na tentativa de localizar o que precisam (normalmente com urgência, porque esse também é um traço da pessoa bagunceira- deixar tudo pra última hora e muitas vezes nem consegue realizar porque perde o prazo ou não sabe onde guardou o documento). E, muitas vezes se perdem diante de tanta informação e documento. 

Começam procurando um documento e quando veem, se distraem quando acham outro documento que precisou há tempos atrás e só agora achou. Acabam então, se envolvendo com outras anotações que remetem a lembranças passadas e com isso o tempo passa e desistem de localizar o que estavam procurando. Aí junta tudo de qualquer jeito coloca de volta na caixa, fecha sem organizar e sem achar o que procurava.

Quanto aos objetos, acumulam coisas que não sabem nem porque comprou. Inutilidades e tranqueiras sem necessidade, muitas vezes ainda sem abrir a embalagem. Roupas de festa, sendo que nunca usa, sem contar que a quantidade de roupas que têm é tanta que não cabem no armário e ainda comentam "não tenho roupas". Fica um tanto de roupas amontoadas num canto, algumas ainda com etiquetas, esperando para consertar - na tentativa de um dia servir ou voltar a "moda". Se fizerem uma seleção categórica, irão constatar que no máximo 20 peças são de seu uso, o resto é entulho que precisa ser descartado.

Ambiente de trabalho

imagem de mesa de trabalho bagunçada e arquivo organizado
O local de trabalho não precisa ter decoração cara, mas na impede se você tiver bom gosto de condições financeira para isso. Porém, o que importa é que seja um local limpo, arejado, organizado, sem caixas empilhadas, sem nada sobre as cadeiras e com sua mesa de trabalho em ordem para produzir o que você irá fazer naquele dia. Coloque tudo em pastas de cores diferentes para facilitar a localização. 

Nos armários ou fichários, deixe tudo por ordem alfabética e cada gaveta por data. O que não estiver usando coloque em armários fechados ou estantes com tudo selecionado.

imagem de cozinha e lavanderia em ordem
Já em sua casa, não deixe nada em cima de guarda-roupas nem embaixo das camas. Arrume seus sapatos limpos numa sapateira fechada com apenas os pares que você usa. Na cozinha, organize sua pia, lave as louças e guarde-as. Faça o mesmo na sua área de serviço. Isso facilitará seu trabalho, irá render seu tempo e se sentirá descansada porque ver bagunça cansa a mente e faz com que você não tenha ânimo para nada.

Arrume tudo antes de sair de casa - acorde mais cedo e organize tudo. Tente chegar em sua casa sem ter nada espalhado pelo corredor. Se chegar com uma visita ela sentirá confortável em  sua sala linda como você gosta - porque sei que você gosta dela linda- Essa sensação de ordem é insubstituível, ou seja irá trazer um orgulho para você mesma e uma satisfação interna que aquele monte de guloseimas que você comeu na noite passada e que deixou largado na mesinha da sala e na pia, nunca lhe deram.

Casa com crianças, animais de estimação, ou muitas pessoas morando no mesmo ambiente

Algumas pessoas não se incomodam com brinquedos espalhados, pratos e copos sujos na sala ou animais sobre as camas e até acomodados em cima da mesa de jantar ou nos armários. Eventualmente, isso pode acontecer  quando moram muitas pessoas na casa, trabalham fora e o tempo para a organização é corrido sem que se tenha outra pessoa para organizar e guardar tudo, mas quando essa situação se torna rotina o acúmulo de bagunça pode sinalizar um sintoma disfuncional desses moradores e nem sempre será apenas desorganização, mas vai além, pode revelar traços  de transtornos de personalidades em conflito, depressão, baixa autoestima, estresse, desmotivação para a vida e, raramente será por condição econômica pois pobreza não significa sujeira nem bagunça 

Coisas inúteis guardadas

imagem de objetos espalhados sem categoria
Para o pesquisador David Tolin, da Escola de Medicina da Universidade de Yale, em estudo sobre o funcionamento do cérebro da pessoa que acumula coisas que não lhe são úteis, como sendo uma necessidade compulsiva de adquirir objetos e a incapacidade de descartar o que não é mais utilizável- e até de descartar o lixo diário - junto com uma desorganização debilitante.

Acumuladores mostraram que quando submetidos a Ressonância Magnética, o cérebro tinha funcionamento diferente quanto a estímulos recebidos bem como de avaliar os riscos iminentes de saúde e dificuldade nas decisões emocionais.

Acumulador não ama o que têm, porque muitas vezes nem sabe que têm. É uma necessidade de juntar, de ter, para satisfazer um vazio existencial. Coloca nos objetos sua salvação, que podem lhes ajudar em algum momento e dar a satisfação que procuram. 

Complexo de Inferioridade 

imagem de uma moça com muitas sacolas de compras
Uma outra situação é a pessoa comprar coisas que não vai usar, que não combinam com ela ou com sua casa e até com valor acima de sua capacidade de pagar, apenas para uma satisfação interna de se comparar com outra pessoa e mostrar aos outros que podem ter e que não é inferior a ninguém. Tem ainda, aquelas pessoas que fazem doação de objetos para instituições, não como um ato nobre, mas com sentimento de que são coisas para gente que, em seu íntimo os vê como coitados e dignos de dó, e ao doar sua sensação de satisfação, muitas vezes inconsciente  é de que está em melhor situação que o outro, mesmo que a intenção a princípio era de ajudar.

Sentir-se realizada saindo com montanha de sacolas nas mãos para demonstrar "é tudo meu".

Isso é Complexo de Inferioridade - um transtorno tão sério quanto o de Acumulador, só que aqui a pessoa enaltece a ela mesma.

No complexo de inferioridade, a pessoa adquire coisas, sem necessidade e depois - ou guarda por anos como um troféu, como forma de afirmação pessoal e de status aparente, ou descarta no lixo ou como doação, para se sentir confortável, com a sensação "posso ter e posso doar".

Casa de vó 

imagem de criança com vários brinquedos espalhados


É diferente quando se chega na casa da vó, onde tudo está disponível para a brincadeira e para se sentir à vontade. Isso traz conforto, liberdade de ação e alívio da vida cotidiana, porém é uma situação momentânea, onde aqui a intenção é deixar que as crianças e mesmo os adultos fiquem descontraídos, brinquem, relaxem, conversem, comam todos juntos àquela bela comidinha da vó e depois tudo isso tenha seu equilíbrio de volta, onde todos ajudam, guardam e limpem tudo para a vida que retoma. 



Por que guardar coisas e roupas que não vai usar? Liberte-se!

Por que ter um ou mais cadernos de receitas cheio de páginas soltas, papéis anotados e rótulos de receitas dentro, se você nunca fez nada, nem vai fazer. Conscientize-se!

Por que comprar eletrodomésticos inúteis se você não gosta de cozinhar? Seja prática!

Por que guardar cadernos de infância ou agendas de anos anteriores? Organize-se!

Por que guardar brinquedos das crianças se seus filhos já são adultos? Acorda para a vida!

Por que guardar bilhetinhos e presentinhos de alguém que te traiu? Livre-se disso!

Por que guardar todas as mensagens que recebe durante o dia no seu celular? Apague! 

Por que não se amar como você merece? Pense nisso!

"Nosso corpo é uma máquina complexa e perfeita e o Criador a mantém em perfeita ordem, mas para nossa felicidade precisamos de pouca coisa e isso só depende de nós". (Luiza Gosuen

A publicação original está no blog de Luiza Gozuen: Transtornos Psicológicos & Saúde Mental

Você também pode gostar de minha postagem: Síndrome de Acumulação!
Meu forte abraço,
Yolanda Hollaender
Sócio fundadora da ANPOP e membro do ICD
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2 comentários:

  1. Muito bom yolYola. Vou compartilhar. BriBei

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    1. Agradeço o prestigio, Tania. E, também, por compartilhar sobre o 'destralhar'. A ideia é que as pessoas só fiquem com o que é útil, e que desfrutem os espaços de suas casas com mais liberdade.

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Agradecimentos

Ari Hollaender - consultoria em Marketing

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